quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Big Brother Brasil - Terceira Semana


A síndrome do pequeno poder.

Diz-se que quando você adquire alguma dose de poder é que seu verdadeiro caráter vem à tona. Isso acontece por uma razão muito simples: o ser humano foi programado para deleitar-se da sensação de domínio. Sem isso, talvez a espécie fosse incapaz de atravessar tantos séculos. O curioso é notar que o poder afeta as pessoas em qualquer instância. Do presidente da república ao gerente da lanchonete, estar hierarquicamente acima de alguém significa ter nas mãos parte do destino de uma pessoa e as químicas de prazer e vaidade que são liberadas por isso podem ser inebriantes e incontroláveis. Há de se ter o pé no chão para não se tornar um monstro de ilusões autocentradas… E essa semana no BBB soubemos exatamente quem ali não estava ciente disso.


A saga de Luiz Felipe pode ser chamada de “cavando a própria cova”. Outros participantes já escreveram a mesma história. Vocês devem se lembrar de Mau Mau , lá do BBB11, que foi escolhido pelo público para voltar ao programa após sua eliminação. Era óbvio que na verdade as pessoas só estavam interessadas em ver como Maria ia reagir ao retorno do ex depois de ter cedido às investidas de Wesley (aliás, Maria e Wesley são meu casal preferido de todos os BBB’s). Mas, Mau Mau entrou numa realidade paralela onde o público tinha escolhido levá-lo de volta para que a casa “aprendesse” um pouco sobre seus valores e absorvesse sua sabedoria. Durante o curto tempo em que continuou lá dentro, o moço deu um show de delusional, transformando qualquer diálogo em palestra.

Agora é a vez do Luiz Felipe, que depois de ganhar um poderzinho bobo no jogo da discórdia, achou que o paredão estava no papo. A personalidade do moço já é completamente egomaníaca. Ele se acha o mais lindo, o mais desejado e o mais humilde, naquele traço clássico dos pouquíssimo humildes, que não se dão conta de que nem sabem o que a palavra significa. Atribuir humildade a si mesmo é diferente de sê-lo. Foi ótimo, inclusive, o VT em que a edição frisou o orgulho com que ele dizia a todos que seu padrão de mulher era altíssimo. Um exemplo cabal de como o rapaz vive numa bolha de autocelebração constante.


Com aquele voto duplo na mão a coisa só piorou. Nem podemos culpar o rapaz sozinho, porque quem vive cercado de elogio o tempo todo dificilmente enxerga a realidade como ela é. Percebam como foi emblemático o momento em que Luiz Felipe chora de verdade num longo abraço com Ieda e ao cortar a cena para a mãe do moço na plateia, vemos uma mãe que não questiona em momento algum a soberania do filho, que segundo ela, não aceita ofensa de ninguém (o tipo de pessoa que dificilmente entende que todo mundo tem o mesmo direito). Ela não aceita as desculpas de Ieda e pronto, já sabemos que os problemas de Luiz Felipe vem de casa. Ele não é um mau menino, ele só é um menino que acha que é homem.

Sua eliminação foi pontual. O desentendimento com Ieda trouxe à tona o velho problema da ambiguidade entre tratar alguém muito mais velho com respeito incondicional ou lidar com alguém assim de igual para igual. Nunca chegaremos num consenso a respeito disso, mas sabemos que ver uma senhora de 70 anos ser maltratada nunca vai ficar bonito para ninguém. Emily e Roberta que se cuidem, porque algumas coisas que elas disseram também não soaram muito bonitas. Roberta dizendo que Ieda não resolvia se era uma senhora de 70 ou uma senhora de 70 querendo se passar por uma de 20, ainda está ecoando na minha cabeça.

Roberta, aliás, é um sonho para qualquer editor. Se vocês repararem, ela tem um tempo absurdo de edição, em qualquer dia da semana, porque sempre tem algo a oferecer. Pode ser que acabe sendo eliminada com um grande nível de rejeição e ninguém lá dentro tem a menor ideia disso. Acham que Elis é um problema maior, quando na verdade, o que Elis perde na deslealdade (revelar a Daniel que Roberta gostava dele foi imperdoável), ganha no bom humor constante. Roberta está cada semana mais ranzinza e sua proximidade com Emily atrapalha as duas. Emily talvez já tivesse percebido como está do lado mais fraco da corda se não fosse por sua amizade com Roberta.



Mas, que história é essa de lado mais fraco? Primeiro foi Mayara, depois Luiz Felipe. Já dá para arriscar dizer que essa história de Milleniuns versus Gen X tem sido julgada pelo público de modo diferenciado. Alguém lá dentro disse que “o povo adora juventude”, mas até agora só os jovens foram eliminados. É o que venho dizendo há alguns anos… O público votante tem mudado muito. É seguro dizer que o grupo formado por Vivian, Luiz Felipe, Manoel, Roberta e Emily, está na berlinda dos julgamentos da audiência. Daniel se considera parte dele e está jogando errado. Emily poderia se beneficiar muito da relação com Marcos (gosto deles juntos), mas não tem como cobrar dela que veja tudo com os nossos olhos. Ela é uma participante muito comprometida, surpreendente até, mas perde força quando se junta com a patota.




Pedro, Ieda, Rômulo, Marinalva, Marcos e Ilmar estão soltos. Eles não são um grupo formado ainda, mas estão na direção contrária a esse “jogo de afinidades” tão chato que os jovens costumam fazer assim que entram. Pode ser que a “dramaturgia” involuntária desse ano seja a rivalidade entre os dois grupos, mas pode ser que Vivian, Manoel, Roberta e até Emily, precisem ser eliminados um por um, para que fique ali dentro quem está querendo mesmo jogar: esses participantes mais velhos, maduros, menos afoitos e estratégicos. É curioso, porque há a presença perigosa de Manoel (candidato a moço ingênuo que sempre ganha edições) e a iminência de uma relação entre Marcos e Emily, que são sintomáticas de um jeito antigo de se fazer BBB. Com a diferença de que até agora, o público rejeitou todas as demagogias e recorrências. Isso torna a edição muito animadora e surpreendente.


O BBB17 está indo muito bem até agora… Muito bem.


Antes de soltar o ranking da semana, quero dizer que Tiago Leifert tem ficado cada vez mais a vontade no comando da atração. Não passa nenhuma insegurança e tem feito os discursos de eliminação de um jeito original e efetivo. Tornar dialético o que antes era um monólogo, foi uma saída esperta para não ser comparado a Pedro Bial e, ao mesmo tempo, manter o suspense. Sorte nossa.



Marcos: Que virada de jogo espetacular. Se Marcos calculou ou não a mudança de abordagem com Emily, só queria dizer que ele é um gênio de marketing. Dificilmente ele não ganha esse programa.


Emily: Me aborrece quando se junta com Manoel e Vivian, mas é interessante vê-la usando o programa para se avaliar. Ela não está ali para brincadeira e nem para tirar férias.


Pedro: Além do grande likeability, ele mostrou essa semana que raciocina o jogo muito bem. Acertou em cheio na escolha forçada pelo Big Fone.



Manoel: Precisa sair antes que parte da audiência o eleja o “menino ingênuo que tem bom coração”. Fiquei com vontade de dar um peteleco no Leifert quando ficou insistindo naquela de “agora você ganhou, Manoel”. O público não pode achar que ele é o underdog. Se esse menino imaturo e desinteressante ganhar, será o fim. O banho na piscina foi O FIM!! E ele se achou o máximo.


Daniel: A justificativa para colocar Marcos no paredão foi imensamente COVARDE. Diga que é por afinidade, mas não diga que é porque a pessoa tem mais oportunidades aqui fora. Eu ODEIO isso. É redutivo e irrelevante. Marinalva é outra que me tirou do sério ao justificar seu voto em Vivian assim.


Rômulo: Descobri que BBB não é lugar para diplomacia. Sempre esqueço que Rômulo está ali dentro. Nunca vi alguém “ameaçador” ser tão enfadonho. Uma tartaruga seria mais ameaçadora que ele.

Por Henrique Haddefinir

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